Veja: Entrevista concedida pelo executivo Miguel Cohen a Revista Risco & Recompensa, CEO da Consultoria Moderna fala sobre sua mais nova empreitada e s sua paixão pelo atendimento perfeito ao cliente.

Miguel Cohen, CEO da Consultoria Moderna fala sobre sua mais nova empreitada e a sua paixão pelo atendimento perfeito ao cliente

Risco & Recompensa, 17/07/2015

Miguel Lisboa Cohen é advogado formado pela Universidade Federal do Pará. Pós-graduado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas – FGV e pela Harvard Business School – EUA.  Foi CEO do Citibank em Honduras e El Salvador e Presidente do Banco de Honduras, Digibanco, Credicard e da American Express Brasil. Atualmente é CEO da Consultoria Moderna.

R&R: O Sr. já está há vários anos na estrada, com experiências únicas; entretanto continua mais ativo e bem humorado do que nunca. Qual o segredo?

MC: Os desafios não têm número, são muitos. A família e os amigos se completam e fornecem o que é necessário para continuar vivo e motivado.

R&R: Um tema abordado recentemente pelo Sr. trata das questões da 3ª. e 4ª. idade e sobre a necessidade de revisitar alguns conceitos arraigados sobre aposentadoria. O que o Sr. pretende transmitir?

MC: Estive numa palestra nos USA, que tratou da existência da Quarta idade. O palestrante, professor de uma grande Universidade dos USA, retornou à época de Tutankamon, quando a expectativa de vida era de 29 anos. No Brasil (eu analisei depois), na virada do século XIX, era de 43 anos. Nos anos 50, de 50 anos e hoje chegamos aos 75 mais ou menos. Japão e Estados Unidos passaram os 80.

Se mantivermos o conceito de velhice aos 60, vamos quebrar o mundo (por causa dos aposentados e seu custo), em 30 anos. O professor separou as idades, mostrando que você começa realmente a trabalhar aos 26 anos, quando termina sua Faculdade. Depois vai até 50 anos, que é a fase do amadurecimento. Dos 50 aos 70, a fase da entrega. E depois dos 70, tudo muda. Você escolhe outro caminho para continuar trabalhando.

R&R: Se o Sr. tivesse a oportunidade de voltar profissionalmente  no tempo, modificaria alguma decisão tomada?

MC: Tenho pensado muito nisso e acho que sim. Muito provavelmente não abriria mão de minha vida internacional, pois morei em 6 países fora do Brasil e trabalhei em 26. E isso me faz falta agora.

R&R: Geração X, Y e Z. Como o Sr. avalia esta divisão de gerações, ainda há vida profissional para os baby boomers?

MC: Difícil de definir ou explicar, mas a verdade é que minha neta tem 11 anos e entende muito mais que eu de computadores. Minha afilhada de 8 anos muito mais que a neta. Há algo no ar, que não conhecemos, nem sabemos explicar. Mas por enquanto todos os perfis ainda tem chance de continuar trabalhando. Agora, o que acontecerá em algum tempo, quem poderá dizer?

R&R: Há exatos 24 anos, o Sr. e sua equipe criaram o Banco 30 Horas, um marco na atividade bancária. Como foi esta experiência e por que inovações como esta, não se repetem com tanta frequência?

MC: Na realidade fomos contratados, para vender contas pelo telefone. Depois de 2 meses trabalhando, apareceu o discurso que dizia, isto não é o segredo do sucesso. Temos que criar um Banco Remoto. Várias viagens foram feitas pelo mundo com os donos e superiores juntos e vimos que existia um discurso, mas não existia ação para fazer a ideia acontecer. Voltamos ao Brasil e fizemos a coisa se tornar realidade. E achamos que fomos pioneiros e tivemos sucesso. Em várias tentativas de fazer de novo algo como o Banco 30 Horas, a reação foi ligada aos custos. Ninguém queria gastar.

R&R: O Sr. foi presidente de várias empresas no Brasil, entre elas, a Credicard e o American Express,  empresas de referência no segmento de cartões de crédito. Há alguma novidade neste mercado ou atualmente é mais do mesmo?

MC: O mercado mudou muito. E isso refletiu em marcas como as que você mencionou. Agora os cartões estão ligados às bandeiras do Banco que os emite e que possuem milhões de clientes em seus arquivos.

R&R: O Sr. foi um expatriado durante muitos anos. Como foi trabalhar no exterior durante este período e qual foi o aprendizado mais marcante que o sr. aprendeu e tem procurado transmitir?

MC: Devo mencionar a qualidade de vida que tivemos, sobretudo em Nova Iorque. Mas a marca foi o aprendizado de coisas novas e significantes, sobretudo quando trabalhando no Citibank, com o John Reed, um gênio e uma pessoa especial e diferente que me ensinou grande parte do que posso dizer que sei.

R&R: O Sr. criou recentemente a sua empresa de consultoria, a Consultoria Moderna. Como o seu conhecimento é aplicado nela, qual a sua principal abordagem e o que a difere das demais consultorias?

MC: Agora somos a “Rede de Consultores“, que usa o conceito de complementariedade como base, isto é, não nos concentramos com exclusividade em trabalhos tradicionais de consultorias. Fazemos praticamente coisas em todas as áreas empresariais, exemplo, Contratação de Executivos, Montagem de negócios, “Shadow Management “, isto  codireção da empresa, “Coaching“, Jurídico e por aí vai. Eu sou parte do trabalho, mas temos outros componentes, que conhecem muito do que fazem.           

R&R: O Sr. é um apaixonado pelo tema “atendimento perfeito ao cliente”, onde fica evidente o seu entusiasmo. Este é o caminho para sobrevivência das empresas?

MC: O melhor exemplo foi o atendimento do American Express quando fui seu Presidente no Brasil e o Unibanco 30 Horas.  Faço uma palestra que se chama “Devoção ao Cliente“ que trata basicamente desse assunto.

R&R: Que conselhos o Sr. daria para aqueles profissionais que lidam com todo tipo de risco em sua atividade?

MC: Calma e análise de Oportunidades e Perigos. E decisões dentro disso. E um cuidado todo especial, com o time que trabalha junto.